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Erradicação do Helicobacter pylori em Pacientes com Dispepsia Não Ulcerosa: Resultados de um Estudo Clínico de 12 Meses

  • Foto do escritor: Mauricio Loba Consultor marketing digital
    Mauricio Loba Consultor marketing digital
  • 28 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Erradicação do Helicobacter pylori

A bactéria Helicobacter pylori é conhecida por sua relação direta com diversas doenças do trato gastrointestinal, como gastrite crônica, úlcera péptica e até câncer gástrico. No entanto, seu papel em condições funcionais, como a dispepsia não ulcerosa, ainda desperta grande interesse e debate entre os especialistas.

Com o objetivo de investigar se a erradicação do H. pylori poderia trazer alívio clínico significativo para esses pacientes, um grupo de pesquisadores brasileiros — incluindo Luiz E. Mazzoleni, Guilherme B. Sander, Eduardo A. Ott, Sérgio G. S. Barros, Carlos F. Francesconi, Carisi A. Polanczyk, entre outros — conduziu um importante estudo publicado em Digestive Diseases and Sciences (2006).


Metodologia do Estudo

F

ispepsia não ulcerosa

oram avaliados 91 pacientes com dispepsia não ulcerosa e teste positivo para Helicobacter pylori.Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos:

  • Grupo tratado com antibióticos: recebeu lansoprazol, amoxicilina e claritromicina, medicamentos utilizados para erradicar a bactéria.

  • Grupo controle: recebeu lansoprazol e placebo, simulando o tratamento, mas sem antibióticos.

Os sintomas dispépticos foram avaliados através de um questionário validado, aplicado no início do estudo e aos 3, 6 e 12 meses de acompanhamento. Além disso, todos os pacientes realizaram endoscopias e biópsias gástricas no início, após 3 meses e ao final do estudo.


Resultados Obtidos


erosões gástricas visíveis na endoscopia

De forma geral, observou-se uma tendência de melhora clínica nos pacientes que receberam o tratamento para erradicação do H. pylori, embora sem significância estatística global.

  • No grupo tratado com antibióticos, 16 de 46 pacientes (35%) apresentaram melhora dos sintomas.

  • No grupo controle, 9 de 43 pacientes (21%) relataram melhora (P = 0,164).

Entretanto, uma análise secundária revelou um dado relevante:entre os pacientes sem erosões gástricas visíveis na endoscopia, a taxa de melhora sintomática foi de 44% no grupo tratado, contra apenas 15% no grupo controle (P = 0,015).Esse achado sugere que o benefício da erradicação do H. pylori pode estar presente em subgrupos específicos de pacientes.


Conclusão

O estudo concluiu que a erradicação do Helicobacter pylori não demonstrou um benefício clínico significativo para todos os pacientes com dispepsia não ulcerosa.No entanto, observou-se uma tendência positiva — especialmente em pacientes sem lesões gástricas visíveis — indicando que o tratamento pode ser útil em casos selecionados.

Esses resultados reforçam a importância de abordagens individualizadas no manejo da dispepsia, levando em conta a presença da bactéria, os achados endoscópicos e o perfil clínico de cada paciente.


Referência

Mazzoleni, L. E.; Sander, G. B.; Ott, E. A.; Barros, S. G. S.; Francesconi, C. F.; Polanczyk, C. A.; Wortmann, A. C.; Theil, A. L.; Fritscher, L. G.; Rivero, L. F.; Cartell, A.; Edelweiss, M. I. A.; Uchôa, D. M.; Prolla, J. C.Clinical Outcomes of Eradication of Helicobacter pylori in Nonulcer Dyspepsia in a Population with a High Prevalence of Infection: Results of a 12-Month Randomized, Double Blind, Placebo-Controlled Study.Digestive Diseases and Sciences, 2006; 51(1): 89–98.

 
 
 
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